A Fundação Antonino

Onde estão todas as árvores?

Foto do desmatamento

Olhando para fotos como essas, a maioria de nós tem um sentimento de indignação, desespero ou violação. Derrubar uma floresta e deixá-la devastada e exposta é a coisa mais próxima de um ecocídio que pode haver. Não são apenas as árvores, mas tudo: pássaros, mamíferos, répteis, insetos e até mesmo a água. Tudo desaparecido, evaporado no ar.

Eu fiz isso

Em meu quarto, eu tenho uma bela escrivaninha coreana antiga, feita de madeira de caqui. Eu amo suas cores suaves e quentes e as curvas sensuais de seus padrões de cerne. Eu poderia ter ido a Ikea e comprado algum compensado revestido em plástico. Não é legal, eu sei.

Todos nós vivemos essa existência dividida. Gostamos de objetos finos, gostamos de coisas naturais, e a madeira nos dá uma grande sensação de conforto. Sem a madeira, não haveria a história do homem. A madeira fez o homem. E em um mundo cada vez mais assustador por sua impessoalidade avassaladora: arranha-céus, conglomerados e monopólios, produção em massa e irrelevância do indivíduo, nós tentamos lutar contra a máquina com uma aparência de rebelião “ecológica", e o tornamos pior.

Objetos naturais, precisamente, devem ser tirados do mundo natural...

Rio da Amazônia

Assim, se queremos isso...     arrows up     e não isso     arrow down

O último lote de madeira serrada da floresta de turfa em Indragiri Hulu, província de Riau, Indonésia. Desmatamento para plantação de óleo de palma

... será necessária uma mudança de posse.

A primeira coisa é possuir – assumindo a responsabilidade pessoal. Sim, pode ser pouco, mas se não “eu", então quem?

A fraqueza típica que nós, seres humanos, temos é a mentalidade “alguém precisa fazer alguma coisa sobre isso", que “outra pessoa" é responsável pela bagunça em que estamos, nunca nós, nunca eu... A maioria dos países em que nós ocidentais vivemos arrasaram suas florestas para cultivo, culinária, habitação, mobiliário, paisagismo, calor, navios, fósforos, papel e crescimento, e agora gritam “Salve a Amazônia” dizendo aos moradores pobres de países subdesenvolvidos que não façam o mesmo.

Se eu fosse pobre, vivendo nos limites da Amazônia, com 7 filhos para alimentar, acho que minhas preocupações não seriam as mesmas. Eu serraria as árvores, venderia as toras, cultivaria por alguns anos, depois seguiria em frente. É realmente muito simples.

E assim, em teoria, deveria ser assim tão simples fazer o oposto.

Se queremos a Amazônia (ou sistemas florestais como Indo-Birmânia, Nova Caledônia, Sundaland, Filipinas, Mata Atlântica, montanhas do sudoeste da China, Província Florística da Califórnia, Florestas Costeiras da África Oriental, Madagascar & Ilhas do Oceano Índico, Afromontane Oriental…) para sobreviver, precisamos fazer alguma coisa.

Nós (os ricos) precisamos possuí-la.

Compre a Amazônia

A segunda coisa é a propriedade da terra.

Quando começamos a falar sobre a criação de um museu, nós incluímos a idéia de redirecionar parte de nossos ganhos para o Brasil. A idéia original era um tanto vaga: para Antonino, oferecer às crianças acesso aos tipos de coisas que ele nunca teve; para mim, ajudar meninas e meninos a escapar da armadilha da prostituição, ambas nobres causas, mas, como eu disse antes, vaga e sem um esforço pessoal real de nenhum de nós dois.

Descobrimos recentemente, algo que nos desperta um forte sentimento: a Amazônia.

A idéia é a própria simplicidade: comprá-la, pouco a pouco.

Por enquanto, porém, está em banho-maria até que o museu esteja funcionando. Se alguém tiver sugestões ou comentários a fazer - estrutura legal, conselho de administração, observadores, pessoal de campo, definição de estado de propriedade e finalidade etc. - por favor, entre em contato.

Obviamente, não somos os primeiros a ter pensamentos assim, o que é muito bom. A questão não é ser “o primeiro” ou ganhar algum status especial, mas fazer parte do movimento planetário de cuidados e auto-proteção. A terra não vai “pertencer” a nós (embora a quem ela pertencerá deve ser ainda esclarecido - precisamos de ajuda aqui), mas a todos que queiram ver uma Amazônia sobreviver e prosperar nos séculos de nossos filhos. Eu digo “uma” Amazônia porque parte dela já se foi e é difícil hoje imaginar que possa voltar. Com dinastias tão poderosas que possuem suas próprias fazendas (antiga floresta) do tamanho de países europeus, que foram julgados e condenados por escravidão pelo menos 8 vezes sem que isso tenha o menor efeito, com suas fotos ao lado da futura rainha da Suécia, é difícil imaginá-los generosamente abandonando a terra que “negociaram”. Mas quem sabe...

Como exemplo, abaixo está um mapa do Google Earth de Rondônia, Brasil. As áreas calvas e linhas serrilhadas são fazendas e estradas de acesso. Abaixo está um mapa dos Territórios Indígenas, terras pertencentes aos índios nativos, sob complicadas leis brasileiras. Essencialmente, praticamente todo o território não indígena foi derrubado para a agricultura. Isso representa cerca de metade dos 237.576 km², ou seja, 29.353,153 hectares, equivalente a toda massa territorial da Bélgica, Dinamarca e Holanda juntas (ou Pensilvânia para os EUA).

Ver Desmatamento em Rondônia, Brasil em um mapa maior

Mapa de Territórios Indígenas em Rondônia, Brasil

Mapa de Territórios Indígenas em Rondônia, Brasil

Ted Turner, por exemplo, possui (e parece gerir de forma responsável) cerca de dois milhões de hectares em terras pessoais e ranchos na América do Norte e, saindo aqui da minha zona de competência, parece ter feito seu dinheiro da mídia. Desde que a mídia foi comprada por um grande número de pessoas comuns como você e eu, poderíamos pegar o atalho do magnata e colocar dinheiro na reaquisição de terras brasileiras e permitindo/incentivando o retorno do indígena para a floresta?

Para ter uma idéia do que estamos pensando, veja esse vídeo:

Esse é um primeiro rascunho, ainda pensando em voz alta, de certo modo. Há enormes problemas a serem superados: o que fazer com os “sem-terra”, quem cuidará deles (talvez eles mesmos?), quem vai desembaraçar os direitos de propriedade de terra no Brasil etc. Eu não sei. O que eu sei é que existem pessoas que podem fazer isso. Então, nós vamos encontrá-las.

Outra alternativa, e que eu acho muito elegante é essa: ao invés de dizer às outras pessoas o que fazer, por que não colocar primeiro nossa própria casa em ordem?

Considere isso:

  • A França tem uma massa de terra de 551.695 km², dos quais 169.000 km², ou 31% são florestas
  • O Brasil tem uma massa de terra de 8.514,877, dos quais 5.173,276 km², ou 61% são florestas

Assim, qual país é mais culpado pelo sacrifício de suas florestas para agricultura e/ou exploração?

Talvez o lugar para começar seja em casa, pois se não pudermos demonstrar que pode ser feito aqui (e leia esse artigo muito revelador sobre o Equador), por que alguém acreditaria que é possível - ou que deveria - ser feito lá?

Por favor, comente, especialmente porque esse não é o tipo de coisa que pode acontecer por si só.

 

Rating
1570 0

Add comment


Logo dO MusEU Antonino

 

Bem vindo ao site do Museu Antonino.

Temos muito mais quadros do que mostramos aqui, então se você gostaria vê-los, liga ou escreve à Simon:

+33 6 89 69 13 56 or O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. e vamos ver o que poderemos fazer

Endereço

Antonino Museum
4 bis rue de la Plage
Faverolles sur Cher
França
+33 6 69 89 13 56
+33 6 80 81 51 06

 

Exposições
  itinerantes

Se você gostaria de organizar

uma exposição, pública ou privada,

em casa, na sua cidade ou no seu

local de trabalho,

entre em contato conosco