Antonino

Antonino sempre foi um pintor. Ele teve só um trabalho de férias por 23 anos para alimentar sua família.

O Brasil hoje está em mais uma de suas fases de recuperação - e todos nós esperamos que seja durável dessa vez - tornando-se um grande ator internacional e até mesmo (será que isso é sábio?) emprestando dinheiro ao FMI... Mas durante boa parte do século 20, ele esteve repleto de corrupção e nepotismo, ditaduras e dos tipos mais espetaculares de dramas governamentais. A arte pertencia a uns poucos ociosos. Quantos pintores brasileiros você consegue citar? Agora reduza esses nomes para os pintores conhecidos internacionalmente.

Aos vinte e poucos anos, ele levou seu portfólio à escola de arte e perguntou se podiam ensiná-lo a pintar. Eles olharam, e devolveram seu trabalho dizendo: “Desculpe, não existe muita coisa que possamos ensinar a você...”

Ele parou de pintar, e essas duas obras em bico-de-pena são tudo que ele tem daquela fase (clique nas imagens para ampliá-las).

Obviamente, existe mais do que os olhos podem ver, mas parece difícil de acreditar que ele não tenha entendido a mensagem. Deve haver uma razão. Eu tenho minhas suspeitas. Mas isso é algo para o próprio Antonino discutir. Talvez, simplesmente, quando você vem de um mundo onde sua mãe passou a vida toda plantando feijões em um campo empoeirado para criar cinco filhos, as opções sejam mais estreitas. Comida hoje, comida amanhã.

Então ele foi trabalhar.

Quinze, vinte anos mais tarde, ele começou a frequentar exposições de arte. Nem tudo que via ele gostava. Uma noite, conversando com o dono de uma galeria, ele disse: “Eu conseguiria fazer melhor do que isso”, o que não deixa muitas opções de resposta...

– “Então faça...”

Sua primeira pintura é... “interessante", ela tem algo da beleza grotesca e reprimida de Bacon, mas pouco potencial evidente. Depois disso, ele pintou alguns descartáveis, sentindo o território, e pela quinta ou sexta vez, ele era um pintor. A próxima série de pinturas, 70 x 50 cms, foram pouco mais do que construtores de confiança, exercício de coordenação cérebro-mão, em cores, passos de bebê atrevendo-se a abrir a selva em seu cérebro. Depois de um ano, ele pintou Catarina Paraguaçu, sua primeira obra-prima. Eu achei deslumbrante. Julgue por si mesmo.

Atualmente, Antonino mora em Salvador, Bahia.

Ao longo dos últimos anos, ele participou de uma série de exibições conjuntas ou individuais, ganhando o primeiro prêmio da VI Bienal do Recôncavo do Centro Cultural Dannemann, e em outros lugares, mas principalmente ele tem se voltado para ele mesmo. Um dos motivos, e não menos importante, é o projeto atual. Ele poderia ter começado a vender suas pinturas localmente, havia muitos compradores, mas ele se recusou.

A razão foi muito simples: o museu. Tanto ele como eu queremos manter reunidas o máximo de suas pinturas em um único local projetado apenas para isso. Até agora tem dado certo.

 

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Endereço

Antonino Museum
4 bis rue de la Plage
Faverolles sur Cher
França
+33 6 69 89 13 56
+33 6 80 81 51 06

 

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